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Fernanda Aline é Bacharel em Língua Inglesa e Literatura e comenta sobre o Avaí.


fernanda@futebolsc.com / Twitter @nandalyne


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06/05/2011 às 19:29:00

Discurso Furado


Bruno treina normalmente nesta sexta-feira, no CFA da Ressacada.
Foto: Divulgação Avaí FC


E lá se vai mais uma semana de muita agitação nos bastidores do Avaí. Em consequência às decisões da Comissão Disciplinar do STJD, que causou a punição de três jogadores avaianos e de apenas dois botafoguenses, está difícil concentrar os pensamentos em questões táticas do futebol propriamente ditas.

Que o impasse gerado pelas punições aos jogadores Marquinhos, Rafael Coelho e Bruno prejudicam a já fragilíssima organização tática e a tão comentada eficiência de ataque avaiana, isso não se discute. Agora, mais do que isso, as suspensões vêm gerando contradição na relação "discurso da diretoria avaiana x realidade", afinal, o que foi relatado pelo presidente João Nilson Zunino não condiziria com os fatos nem mesmo se forçássemos ao máximo nosso cérebro a ponto de ignorarmos a verdade.

Para deixar claro de uma vez por todas, refiro-me, especificamente, ao caso do volante Bruno, jogador que deveria ter atuado na partida contra o São Paulo pela Copa do Brasil, na última quarta-feira, já que o Avaí havia conseguido o efeito suspensivo para o volante, que foi punido com cinco jogos de suspensão.

Bruno, que, segundo o presidente avaiano, foi vetado da primeira partida contra o São Paulo, pois estaria com dores na panturrilha, hoje treinou normalmente na Ressacada, sem sinais de dor, ou de lesão. É intrigante, para dizer pouco, e isso me leva a dizer que este é mais um daqueles casos não-dignos de compreensão, até aos mais privilegiados intelectualmente.

A contradição um tanto quanto curiosa - e louvável de ironia, envolvendo Bruno, apenas prova, mais uma vez, que a diretoria do Avaí ainda não aprendeu o que as lições sobre planejamento do início desta temporada deveriam ter ensinado. Digam o que quiserem afirmar, mas contra fatos não há argumentos. Bruno treinava como um jogador sem lesões, ou dores; isso é fato. O argumento foi apenas mais uma peneira que tentou tapar o Sol, ou seja, inútil.

Reforço um pensamento que sempre tive a esse respeito: time de Série A não pode cometer erros de planejamento tão grosseiros a ponto de prejudicar o time em uma competição de nível nacional. Deixar a desejar por falta de recursos financeiros é compreensível, já que o Avaí ainda engatinha neste sentido enquanto clube de primeira divisão, mas não podemos mais nos dar o luxo de "esquecer" em Florianópolis um jogador importante, pelo menos àquela altura, e que, portanto, deveria ter viajado com o resto do elenco.

Que façamos jus, o quanto antes, ao nível dos campeonatos dos quais participamos. Coerência e lógica nas atitudes vindas da diretoria não vão além do que devemos esperar de um clube em ascensão, como é o Avaí atualmente.

É hora de rever tais decisões, que vêm sendo tomadas como se o amanhã não existisse. Planejamento é proporcional ao sucesso de um clube, e não há discurso furado que mude isso.

Nota: Como este também é um espaço para falar sobre coisas boas, dedico as últimas linhas do texto ao atleta de ciclismo do Avaí, Leandro Carlos Messineo, campeão Panamericano na prova de contra relógio disputada nesta sexta-feira, dia 6, em Medelin na Colômbia. Parabéns, istepô!


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