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André Cordova é propagandista e pedagogo. Há 20 anos acompanha o futebol catarinense e a trajetória do Joinville Esporte Clube.

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23/02/2012 às 14:50:00

O Mérito de Argel Fucks


Argel resgatou o que o Jec tem de mais forte... (foto site Jec)


Venho observando nos últimos tempos os comentários de blogueiros e da imprensa como um todo e é quase unânime algumas observações sobre times, técnicos ou jogadores. “Há fulano não está rendendo como rendia no time tal...”, “Ciclano jogou muito e fez a diferença”, “A equipe perdeu porque a zaga bateu cabeça”, “A arbitragem influenciou no resultado...”. Acredito que este próprio colunista entrou muitas vezes neste embalo de clichês do meio futebolístico.

Ontem na entrevista coletiva de Argel após a incontestável vitória sobre o Avaí de 3 x 0 (e foi pouco) ele fez uma colocação que me fez parar para pensar. Disse o Fucks “...pra resolver tudo sozinho tem que jogar tênis que é um esporte individual e que depende unicamente de si mesmo. O futebol é coletivo, os desfalques de hoje (Pedro Paulo, Carlos Alberto e Ramon) foram supridos com muita qualidade pelos atletas que entraram o que comprova que o futebol se faz com conjunto...” Olha que frase mágica, que óbvio!!!! Enquanto nos preocupamos em desempenhos individuais (e isso vale para os atletas também) algumas equipes entendem que o conjunto é muito mais forte que a qualidade individual. E o pior é que nós sabemos disso desde os primórdios do futebol, aliás, ano passado o próprio Joinville provou essa teoria durante a série C do brasileiro.

Pois bem, quando de uma virada de ano, uma saída de alguns jogadores e do comandante da equipe tudo o que já se sabia parece ter se esquecido. Jogadores importantes passaram a não render mais, a torcida passou a reclamar daqueles que até uns dias antes aplaudia, voltaram aquelas colocações de “...com esse time aí na série B vai cair já no primeiro ano...”. Interessante não? Antes do jogo com o Avaí a imprensa dava como certo o favoritismo do time da capital pelo momento, porque Ramon não jogaria, que sem Pedro Paulo e Carlos Alberto a zaga ficaria totalmente desprotegida. Ninguém lembrou que o coletivo é mais forte que o individual???

Aí está o mérito de Argel fucks até o aqui. Em três jogos desde sua chegada (contra 3 grandes) ganhou dois e empatou um e resgatou o futebol solidário da série C, um time sem uma estrela que desiquilibrasse seus jogos. O time que manteve 80% da base não poderia ter desaprendido aquela regra aprendida ano passado. Faltava o cutucão, o incentivo, e até a cobrança. Claro que há de se qualificar elenco, claro que falta muito para conquistar o catarinense ou fazer bonito no brasileiro, mas a grande conquista até aqui foi o resgate do sentimento de equipe/grupo e posicionar novamente o trem no trilho para mirar os objetivos do ano. O desfio daqui pra frente é manter e melhorar o padrão do time, o caminho como disse parece ter sido encontrado.

Quanto ao jogo contra o Avaí resumiu-se em uma equipe (jec) que dominou o meio campo com alta velocidade aliando a artilheiros inspirados. O conjunto fez a diferença, a individualidade? Foi a cereja do bolo.


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